segunda-feira, 21 de março de 2011

Arte e Realidade – Quadrinhos e o Mundo Real

Olá, pessoal!

Sei que faz milanos que não atualizo o blog, por diversas razões que não vem ao caso no momento… Mas, semana passada uma coisa me chamou muito a atenção e resolvi colocar isso em palavras, e acho que esse é o melhor lugar pra isso.

Muito se fala sobre a mistura entre Arte e Realidade, sobre a arte imitar a vida e vice-versa e tudo mais que envolve representação e representado. Meu objetivo aqui hoje não é entrar nessa discussão, nem entrar em conceituações. Contudo, gostaria de comentar hoje aqui sobre o envolvimento das revistas em quadrinhos com o mundo em que vivemos. Vocês logo entenderão melhor.

capitao_america_Arte_conceitual

(Arte Conceitual do filme “Capitão América – O Primeiro Vingador”, que estréia agora em 2011)

As Histórias em Quadrinhos (HQ’s), desde sua criação, sempre foram parte importante da cultura jovem norte-americana, bem como em outros países, mas é dos EUA que vieram os personagens mais conhecidos mundialmente, detentores de uma indústria multi-milionária no ramo. E, desde seu início, os quadrinhos se envolveram, em menor ou maior grau, na sociedade e na política, mesclando a ficção científica, dos seres com super-poderes e o nosso mundo. Talvez não haja maior exemplo do que o Capitão América, um soldado da Segunda Guerra Mundial fortalecido por um soro especial, que luta contra os nazistas. Carregando as cores de seu país no uniforme e no escudo, levava o patriotismo tão exacerbado dos norte-americanos diretamente à cabeça de milhões de jovens. Nas revistas ele estava lá, participando diretamente das missões, protegendo os demais soldados atrás do seu escudo.

Mas também não é esse o foco dessa postagem.

Vamos dar um salto para 2001, mais precisamente 11 de Setembro. Uma das maiores tragédias da humanidade se abate sobre os EUA, matando mais de 6 mil pessoas, num ataque terrorista às Torres Gêmeas do World Trade Center. Após o ataque, foi inevitável que muitas pessoas se perguntassem como os super-heróis das HQ’s se comportariam, frente a uma situação dessas. Pois era certamente uma situação digna de uma ficção científica. Era demais para ser imaginado, para estar presente em uma de suas histórias.

capa(Capa da Amazing Spider-Man 36) 

E aí entra a Marvel, uma das maiores editoras de quadrinhos, ao lado da DC. Usando um de seus personagens mais populares, exatamente por sua humanidade, o Homem Aranha, publica na edição de número 36 de The Amazing Spider-Man, em novembro de 2001, o que seria a visão deste personagem da catástrofe. Nas páginas, o Homem-Aranha se mostra incrédulo com o acontecimento, logo ele que já presenciou gigantes devoradores de mundos entre outras ameaças cósmicas, e sempre conseguiu salvar o dia. E, justamente, pessoas o abordam e perguntam “onde ele estava” quando tudo isso aconteceu, e “por que ele não impediu”? Afinal, não é pra isso que serviam os super-heróis? Nas demais páginas, vemos os Vingadores, o Quarteto Fantástico e demais personagens trabalhando lado a lado com os bombeiros, verdadeiros heróis do mundo real, para tentar resgatar pessoas. É uma edição realmente marcante.

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(scans da edição)

 

Mas agora sim chegamos ao motivo dessa postagem.

A alguns anos atrás, a Marvel resolveu lançar um Universo paralelo, chamado Ultimate (“traduzido” no Brasil para Millenium) para seus personagens, resetando suas histórias e adequando suas origens aos nossos dias, na tentativa de atrair novos leitores, mais jovens. Contudo, alguns anos depois, resolveram dar um “final apocalíptico” pra muitos dos personagens, fazer uma limpa em algumas besteiras que ocorreram no caminho. E como fizeram isso? Com um ataque terrorista de um de seus mutantes mais poderosos, o Magneto, que usando seus poderes, modificou os pólos magnéticos da Terra, causando vários desastres naturais em diversas regiões do planeta. E foi exatamente uma dessas imagens que me levou a postar sobre esse assunto. Vejam:

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Esse foi o resultado de um Tsunami devastador que atingiu New York, matando milhares de pessoas. Agora comparem com essa:

Japan31

O que me levou a imediata ligação foi aquele barco ali, tão “inocentemente” inerte em cima de uma casa. Essa é uma das imagens do Tsunami que atingiu o Japão a algumas semanas atrás. A semelhança é evidente.

Agora, qual a relação dos fatos? O que aquela história do 11 de Setembro tem a ver com essa? Qual a ligação desses fatos?

É justamente a imaginação.

Enquanto eles tratam o ataque às torres Gêmeas como algo inimaginável, que ninguém podia esperar, o Tsunami foi algo diferente. Guardadas as devidas proporções envolvendo mutantes, eles imaginaram isso. Mas, minha gente, eles imaginaram isso como uma parte de um fim apocalíptico da humanidade inteira! E, ainda assim, que só podia ser causado por um evento de ficção científica.

Essa postagem não tem, na verdade, um sentido, uma conclusão, um motivo. É mais um desabafo sobre o absurdo dessa situação no Japão. Porque não é algo que afeta somente eles. É aquela velha coisa até piegas: nós todos vivemos no mesmo mundo. E o Japão ter sido o atingido com mais força é só uma mera coincidência. Basta ver nosso litoral paranaense.

Como eu falei. A postagem não tem um sentido definido. Não é pra chamar atenção de ninguém pra nada específico, nem pra colocar a culpa no descaso com o meio ambiente ou nas grandes indústrias. Só achei uma questão interessante, essa do envolvimento dos super-heróis nas catástrofes mundiais. Mesmo nas que eles consideram grandes demais pra acontecer aqui, do nosso lado…

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